Há sete dias passei pelo meu
segundo parto normal, para deixar vir ao mundo o meu segundo filho. E hoje me
vi com vontade de partilhar essa experiência, tanto por precisar externar em
palavras tudo o que vivi (escrever é, para mim, libertador) quanto para tentar
ajudar alguma futura mamãe. Pois bem...
Meu primeiro filho, Otávio, nasceu
há menos de dois anos. Desde que soube da gravidez dele, trabalhei meu
emocional e meu corpo para que o parto fosse vaginal. Dois motivos principais me
levaram a essa escolha: um deles foi ter visto a recuperação difícil da minha
irmã, que teve cesárea; o outro, saber da mais rápida recuperação de um parto
normal, já que, naquele momento, eu era responsável por todas as tarefas de
casa, com poucas pessoas para me ajudar no dia a dia.
Depois de decidir tentar o parto
vaginal, acabei lendo mais a respeito e aprendendo outros tantos benefícios
dele para o bebê e para a mãe. Aí, então, procurei um médico que aceitasse a
minha decisão e não me induzisse a uma cesárea (são poucos hoje, viu?).
Logicamente, eu não hesitaria em fazer a cirurgia se fosse necessário. Questão
de bom senso. Minha marca era 24 de agosto de 2016, e esperaríamos até lá...
Não precisou. Otávio nasceu dia 14
de agosto, depois de 15 horas em trabalho de parto. Foi sofrido, a dilatação
foi lenta, no final ele virou a cabecinha e não descia (eu fui perdendo os
sentidos). Por pouco o médico não me levou para o bloco cirúrgico. Antes disso,
ele me disse: “Carol, faça sua última força, se não der certo, vamos para a
cesárea.” Eu só sei que, clamando a Deus em voz alta, essa força veio, e meu
filho nasceu. Nasceu mais forte que um touro, mamando feito um bezerrinho
mesmo (46 cm; 3,110 kg).
Vendo a força com que ele sugava
meus seios, a enfermeira disse: “O bebê que nasce de parto normal é outra
coisa”. Eu, ouvindo isso e vendo meu filho agarrado a mim, agradeci a Deus por
ter me dado coragem de não desistir no meio do caminho. Lógico que eu
confiava muito no meu médico, a todo tempo monitoravam o Otávio... caso
contrário, provavelmente eu teria desistido por medo de perdê-lo.
Grávida pela segunda vez, pensei
novamente no parto vaginal. Confesso que, mais no final da gestação, bateu um
medo. Fiz o pré-natal com outro obstetra (por questão de plano de saúde), já
havia experimentado momentos difíceis, mas também já sabia lidar melhor com os
sinais do meu corpo. Então, coloquei nas mãos de Deus, pedindo a Ele que fizesse
o melhor para mim e para o Vítor. Ah, e como Deus fez.
Comecei a sentir contrações na madrugada de 13 para 14 de julho. O pé da barriga ardia. No dia 14, as
contrações vieram pela manhã, mas não perduraram. No entanto, eu sabia que não
chegaria na minha marca novamente (25 de julho). Passei o sábado de repouso,
sem andar direito. Nem à festa junina do Otávio consegui ir. Domingo acordei um
pouco melhor, mas certa que a hora estava chegando. E estava mesmo...
Por volta de meia-noite, começaram
as contrações ritmadas. Quatro a cada dez minutos. Era o necessário para eu ir
ao hospital, como o médico já havia me instruído. Eu queria chegar lá já quase
ganhando, para não repetir o cansaço da primeira vez. Monitorei por alguns
minutos; parece que cochilei (não tenho certeza), pois quando me dei conta já
era 1h30. Eu não tinha mais escolha, tinha que ir.
Tomei uma ducha quente e pedi ao
meu marido que ligasse para minha mãe, para que ela viesse ficar com o nosso
filho mais velho. Ele me perguntou o que fazia (rs), e eu disse: troca de
roupas, e vamos para o hospital; o Vítor vai nascer. Por volta de 2h saímos de
casa e, chegando ao hospital, o médico plantonista me examinou: “Minha filha,
você já está com oito centímetros de dilatação; se você não vem, seu filho
nascia em casa”. Eu levei um susto, porque, por mais que soubesse que seria naquela
noite, não imaginava já estar tão adiantado.
Não deu nem tempo de ligar para o
médico com quem fiz o pré-natal. Logo fui para a sala de parto. Menos de uma hora
e meia depois que cheguei à maternidade, Vítor nasceu (50 cm; 3,200 kg). Foi completamente
diferente da primeira vez. Eu estava inteira, pedi analgesia apenas para
aliviar a dor (porque não é moleza), isso já com quase dez centímetros de
dilatação. Em duas contrações, com a força que fiz para empurrá-lo, ele desceu.
Ao contrário do primeiro parto, eu enxerguei e senti tudo, tudo mesmo, ele
literalmente nascendo.
É uma sensação intensa demais, eu
diria surreal. O médico o tirou e o colocou sobre mim. Eles nascem tão
molinhos que pensei que não estava vivo. Deu um calafrio. Mas o obstetra me
tranquilizou. O pediatra o pegou. Eu vi todos os procedimentos feitos no Vítor,
ali, ao meu lado. Enroladinho, meu filho veio para os meus braços. O médico me
costurava, pois precisou fazer um pequeno corte, mas, com o bebê no colo, eu
nem sabia o que ocorria lá embaixo (rs),
Meu marido já chorava fazia um
tempo, pois disse que é muito triste me ver sofrendo. Quando olhamos juntos
para o Vítor, choramos os dois. Depois sorrimos. E logo me deu uma vontade de
sair daquela maca, andando mesmo (rs). Em alguns minutos fomos para o quarto.
Nosso pacotinho chegou pouco depois; consegui amamentá-lo naquele instante
mesmo. Estava tudo bem conosco. Terça-feira, ao meio-dia, estávamos em casa.
Nós quatro juntos.
Eu não me sinto melhor do que
outras mães por ter tido parto normal. A escolha de cada mãe é a escolha certa.
Cada uma sabe de si. E eu respeito cada decisão. Mas sinto orgulho de mim mesma.
Sinto-me forte, porque quem já passou por essa experiência sabe que as dores
são muito intensas. Sinto-me com o dever cumprido, e, agora, só quero a graça
de ter sabedoria para educar meus dois filhos no amor e para o amor. Quero que
sejam homens de bem, homens que tragam ao mundo um pouco mais de coisas boas.