23 de julho de 2018

Meus dois partos normais


Há sete dias passei pelo meu segundo parto normal, para deixar vir ao mundo o meu segundo filho. E hoje me vi com vontade de partilhar essa experiência, tanto por precisar externar em palavras tudo o que vivi (escrever é, para mim, libertador) quanto para tentar ajudar alguma futura mamãe. Pois bem...
Meu primeiro filho, Otávio, nasceu há menos de dois anos. Desde que soube da gravidez dele, trabalhei meu emocional e meu corpo para que o parto fosse vaginal. Dois motivos principais me levaram a essa escolha: um deles foi ter visto a recuperação difícil da minha irmã, que teve cesárea; o outro, saber da mais rápida recuperação de um parto normal, já que, naquele momento, eu era responsável por todas as tarefas de casa, com poucas pessoas para me ajudar no dia a dia.
Depois de decidir tentar o parto vaginal, acabei lendo mais a respeito e aprendendo outros tantos benefícios dele para o bebê e para a mãe. Aí, então, procurei um médico que aceitasse a minha decisão e não me induzisse a uma cesárea (são poucos hoje, viu?). Logicamente, eu não hesitaria em fazer a cirurgia se fosse necessário. Questão de bom senso. Minha marca era 24 de agosto de 2016, e esperaríamos até lá...
Não precisou. Otávio nasceu dia 14 de agosto, depois de 15 horas em trabalho de parto. Foi sofrido, a dilatação foi lenta, no final ele virou a cabecinha e não descia (eu fui perdendo os sentidos). Por pouco o médico não me levou para o bloco cirúrgico. Antes disso, ele me disse: “Carol, faça sua última força, se não der certo, vamos para a cesárea.” Eu só sei que, clamando a Deus em voz alta, essa força veio, e meu filho nasceu. Nasceu mais forte que um touro, mamando feito um bezerrinho mesmo (46 cm; 3,110 kg).
Vendo a força com que ele sugava meus seios, a enfermeira disse: “O bebê que nasce de parto normal é outra coisa”. Eu, ouvindo isso e vendo meu filho agarrado a mim, agradeci a Deus por ter me dado coragem de não desistir no meio do caminho. Lógico que eu confiava muito no meu médico, a todo tempo monitoravam o Otávio... caso contrário, provavelmente eu teria desistido por medo de perdê-lo.
Grávida pela segunda vez, pensei novamente no parto vaginal. Confesso que, mais no final da gestação, bateu um medo. Fiz o pré-natal com outro obstetra (por questão de plano de saúde), já havia experimentado momentos difíceis, mas também já sabia lidar melhor com os sinais do meu corpo. Então, coloquei nas mãos de Deus, pedindo a Ele que fizesse o melhor para mim e para o Vítor. Ah, e como Deus fez.
Comecei a sentir contrações na madrugada de 13 para 14 de julho. O pé da barriga ardia. No dia 14, as contrações vieram pela manhã, mas não perduraram. No entanto, eu sabia que não chegaria na minha marca novamente (25 de julho). Passei o sábado de repouso, sem andar direito. Nem à festa junina do Otávio consegui ir. Domingo acordei um pouco melhor, mas certa que a hora estava chegando. E estava mesmo...
Por volta de meia-noite, começaram as contrações ritmadas. Quatro a cada dez minutos. Era o necessário para eu ir ao hospital, como o médico já havia me instruído. Eu queria chegar lá já quase ganhando, para não repetir o cansaço da primeira vez. Monitorei por alguns minutos; parece que cochilei (não tenho certeza), pois quando me dei conta já era 1h30. Eu não tinha mais escolha, tinha que ir.
Tomei uma ducha quente e pedi ao meu marido que ligasse para minha mãe, para que ela viesse ficar com o nosso filho mais velho. Ele me perguntou o que fazia (rs), e eu disse: troca de roupas, e vamos para o hospital; o Vítor vai nascer. Por volta de 2h saímos de casa e, chegando ao hospital, o médico plantonista me examinou: “Minha filha, você já está com oito centímetros de dilatação; se você não vem, seu filho nascia em casa”. Eu levei um susto, porque, por mais que soubesse que seria naquela noite, não imaginava já estar tão adiantado.
Não deu nem tempo de ligar para o médico com quem fiz o pré-natal. Logo fui para a sala de parto. Menos de uma hora e meia depois que cheguei à maternidade, Vítor nasceu (50 cm; 3,200 kg). Foi completamente diferente da primeira vez. Eu estava inteira, pedi analgesia apenas para aliviar a dor (porque não é moleza), isso já com quase dez centímetros de dilatação. Em duas contrações, com a força que fiz para empurrá-lo, ele desceu. Ao contrário do primeiro parto, eu enxerguei e senti tudo, tudo mesmo, ele literalmente nascendo.
É uma sensação intensa demais, eu diria surreal. O médico o tirou e o colocou sobre mim. Eles nascem tão molinhos que pensei que não estava vivo. Deu um calafrio. Mas o obstetra me tranquilizou. O pediatra o pegou. Eu vi todos os procedimentos feitos no Vítor, ali, ao meu lado. Enroladinho, meu filho veio para os meus braços. O médico me costurava, pois precisou fazer um pequeno corte, mas, com o bebê no colo, eu nem sabia o que ocorria lá embaixo (rs),
Meu marido já chorava fazia um tempo, pois disse que é muito triste me ver sofrendo. Quando olhamos juntos para o Vítor, choramos os dois. Depois sorrimos. E logo me deu uma vontade de sair daquela maca, andando mesmo (rs). Em alguns minutos fomos para o quarto. Nosso pacotinho chegou pouco depois; consegui amamentá-lo naquele instante mesmo. Estava tudo bem conosco. Terça-feira, ao meio-dia, estávamos em casa. Nós quatro juntos.
Eu não me sinto melhor do que outras mães por ter tido parto normal. A escolha de cada mãe é a escolha certa. Cada uma sabe de si. E eu respeito cada decisão. Mas sinto orgulho de mim mesma. Sinto-me forte, porque quem já passou por essa experiência sabe que as dores são muito intensas. Sinto-me com o dever cumprido, e, agora, só quero a graça de ter sabedoria para educar meus dois filhos no amor e para o amor. Quero que sejam homens de bem, homens que tragam ao mundo um pouco mais de coisas boas.  

15 comentários:

  1. Lindo, Carol! Parabéns e obrigada por compartilhar esta experiência.

    ResponderExcluir

  2. Oi, Ana. Obrigada por ler. Beijo grande.

    ResponderExcluir
  3. Nossa q lindo Carol q experiência e momentos lindos e incríveis vc passou
    Parabéns pela decisão por não desistir por persistir sempre
    Lindo sua história na maternidade.
    Bjos q Deus de muita saúde a todos vcs

    ResponderExcluir
  4. Obrigada, Gy. Saúde a você e seus pequenos também. ��

    ResponderExcluir
  5. Parabéns Carol! Você foi uma guerreira! Só quem teve parto normal sabe, rs. Não é facil mas é uma experiência surreal mesmo! Obrigada pelas palavras!

    ResponderExcluir
  6. Carol parabéns, sua determinação e fé estiveram presentes o tempo todo. Parabéns pelo texto também, o qual dá prazer de ler. Saudades. Laislla

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Laislla. Obrigada, querida. Deus é maravilhoso demais. Beijos. Saudades também.

      Excluir
  7. Essa é minha linda e fantástica jornalista. Orgulho de vc irmã.

    ResponderExcluir
  8. Amei o relato Carol, parabéns! Beijão, Deise Eclache

    ResponderExcluir
  9. Parabéns Carol. Vc foi guerreira outra vez. Eu não tive sua coragem. Rssss

    ResponderExcluir
  10. Oi, Jô. Obrigada. Mas o importante é que sua filha nasceu bem, e hoje está aí alegrando vocês. Beijão.

    ResponderExcluir