Carolina Tafuri ... Jornalista
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A desinformação em Patos de Minas
27 de fevereiro de 2012
Reportagem - Contexto
Carolina Tafuri – repórter
Corrupção, violência e falhas na saúde são, nessa ordem, os maiores problemas de Patos de Minas na opinião de leitores do CONTEXTO. A relação é resultado de enquete on-line realizada recentemente pelo site*. A corrupção foi escolha de 34,8% dos participantes, seguida de perto por segurança (32,7%) e depois por saúde (17,4%). Os internautas também tinham desemprego (10,9%), educação (4,3%) e pobreza (0%) como possibilidades de voto.
O panorama local aponta semelhança com pesquisa sobre o mesmo tema divulgada em dezembro de 2011 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Nesta, os brasileiros indicaram violência (23%), deficiências na saúde (22,3%) e corrupção (13,7%) como os problemas mais graves do país. Em relação a Patos de Minas, portanto, as três opções mais votadas são as mesmas, mudando a ordem classificatória.
Em matéria da Agência Brasil sobre a pesquisa nacional, o professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) Gustavo Venturi disse que a percepção da sociedade sobre quais são as principais falhas do Brasil variam conforme a idade, renda e região. A tendência, de acordo com ele, é cada grupo avaliar a situação a partir de sua própria realidade, existindo diferença de “agenda” entre as camadas da população.
Já o resultado da enquete do CONTEXTO foi analisado pelo professor de Geografia Luís Geraldo Xavier, também graduado em História, que leciona na cidade. “Não sei se os patenses têm uma relação tão diletante e próxima com o poder público local para saber profundamente se existe uma corrupção crônica. O aparecimento dela como o principal problema da cidade é mais uma sombra midiática do que uma preocupação da sociedade em relação à administração”, avaliou.
De acordo com o professor, é comum que um assunto de repercussão nacional exposto todos os dias na imprensa reflita no contexto local. Ele explicou: “Estamos tendo uma avalanche de corrupção no país, com a queda de sete, de oito, de nove ministros. E que bom que ela está sendo exposta. Por isso, eu acho que quem disse que o maior problema de Patos de Minas é a questão da corrupção, fala por desconhecimento ou mais por influência daquilo que é discutido na mídia”.
Problema mundial
De toda forma, Luís Geraldo disse ser importante destacar que, independente de estar em primeiro ou terceiro lugar, a corrupção é um problema mundial, não um fenômeno exclusivo do Brasil. O que existe, na avaliação dele, é exclusividade de entrega da sociedade brasileira à corrupção. “Isso é uma pandemia social, histórica, que acompanha a própria formação cidadã, a institucionalização da ordem através do Estado. É mais profunda em umas sociedades, menos profunda em outras, e o que reflete esse grau de profundidade é justamente a capacidade dos cidadãos abstraírem e conviverem com os problemas sociais. O grau de perturbação social que a corrupção traz reflete o nível de escolaridade, o padrão crítico e cultural de análise.”
O professor ainda explicou que a corrupção chegou ao Brasil nas caravelas portuguesas e, logo, há uma dimensão histórica muito grande de aceitação dessa prática. “O grave é que ela cristalizou-se, tornou-se senso comum e, pior, instalou-se praticamente em todas as instâncias do poder. Portanto, a corrupção vai aparecer em qualquer enquete que for feita. É um sentimento que está impregnado no DNA comportamental do povo brasileiro. Lógico que ela é menos aguda onde a população é mais participativa”, ressaltou.
Segurança
Apontada como o segundo maior problema de Patos de Minas, a criminalidade também foi analisada por Luís Geraldo. Segundo ele, enquanto a corrupção é um problema cultural que se alojou nas instituições administrativas, a segurança é uma questão puramente estrutural: “Os índices de violência refletem as condições socioeconômicas e socioestruturais de casa espaço. É uma patologia social, crônica em todas as esferas da administração pública”.
Ele chamou atenção para o fato de a violência urbana no país ser tratada como questão de segurança púbica. Para o professor, essa abordagem é errada, já que a base do problema está no fator socioeconômico. “Não existe política de segurança pública que minimize os índices de violência sem distribuição de renda e sem justiça social. Sem democratização das políticas públicas e sem otimização dos serviços sociais, pode-se colocar um aparelho de segurança pública, pode-se enrijecer as leis, que a violência vai continuar existindo”, disse.
Cenário local
Em sua análise, Luís Geraldo explicou que o crescimento da criminalidade em Patos de Minas não é um fator da atualidade. “No final dos anos 80, início dos anos 90, houve um surto de industrialização no município, criando-se a ficção de que essa era uma cidade do futuro. Houve também um surto de crescimento, mas muito tênue e instantâneo. Isso passou, perdeu-se investimento, a municipalidade perdeu arrecadação e, assim, a segurança pública empobreceu.”
E a questão vai além, pois, segundo ele, a ficção de que Patos de Minas era uma cidade de muitas possibilidades não desapareceu, embora a realidade fosse um engessamento econômico. A conseqüência foi um inchaço populacional sem uma estrutura urbana correspondente. “E até a arquitetura das casas mudou a partir dos anos 90, o que ilustra claramente a relação entre criminalidade e comportamento. Foram retiradas as frentes abertas das edificações urbanas e construídos muros eletrificados”, exemplificou Luís Geraldo.
Saúde
Quanto ao terceiro item do ranking, a saúde, o professor disse ser também uma questão estrutural. Mas, conforme ele, o problema se agrava porque o município absorve um contingente muito grande de pacientes de outras cidades.
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22 de maio de 2011
Notícia - publicada em Notícias das Gerais
PATOS DE MINAS: O quase esgotamento do trânsito de Patos de Minas não é novidade. O fluxo lento e o estacionamento raro, sobretudo nos horários de pico, são alguns dos sinais de que o problema se agrava. A população em geral paga um alto preço por isso, mas não se pode esquecer que parte do caos é decorrente de imprudência dos próprios condutores e pedestres. E aí cabe a pergunta: onde está a fiscalização para coibir as infrações?
Especialistas, autoridades públicas e motoristas apontam a falta de fiscalização como um dos dez principais problemas do trânsito patense, conforme levantamento realizado pelo NOTÍCIAS DAS GERAIS e publicado na 5ª edição – 28 de Fevereiro de 2011. Essa deficiência deixa a situação ainda mais caótica, pois abre precedentes para a má conduta nas ruas, a exemplo da parada em fila dupla e do estacionamento em local proibido.
A responsabilidade de fiscalizar o trânsito local é da Polícia Militar (PM), por meio de convênio com o município. No entanto, a corporação encontra dificuldades para cumprir o papel, principalmente devido à falta de contingente.
Sargento Renato José Caixeta, da assessoria do 15º Batalhão de Polícia Militar (15º BPM), disse que há ações nesse sentido, como as blitze, mas reconhece serem insuficientes. A escassez é notada pela população. “Praticamente não há fiscalização nas ruas da cidade”, apontou um universitário de 22 anos, que preferiu não se identificar.
De acordo com o sargento, as blitze estão mais frequentes nos últimos três meses e tendem a aumentar. Ele garante que “a PM busca otimizar o trabalho para não deixar de cumprir sua missão”, mas reforça que a conscientização do cidadão é essencial. “O egocentrismo está em evidência, muitos motoristas só pensam em si mesmos. É preciso que cada um faça sua parte e aja de forma preventiva para melhorar o trânsito.”
ALTERNATIVAS - A municipalização do trânsito é listada como uma das alternativas aos problemas do tráfego em Patos de Minas. Com a conclusão do projeto, que ainda é avaliado pelo Conselho Estadual de Trânsito (CETRAN-MG), a prefeitura torna-se gestora do setor e pode trabalhar com agentes de trânsito e instituir a fiscalização eletrônica.
A diretora de Trânsito e Transportes da Secretaria Municipal de Infraestrutura, Lucimar Souto, explicou que o processo para criação do cargo de agente de trânsito está em andamento. “Já fizemos um estudo do impacto orçamentário-financeiro, que será entregue à Procuradoria Municipal. Ela avalia e encaminha o projeto de lei para votação na câmara.” Mas é necessário que o trânsito esteja municipalizado para os agentes atuarem na fiscalização.
Autor: Carolina Tafuri
Notícia - publicada em Notícias das Gerais
PATOS DE MINAS: Infrações no trânsito são sempre preocupantes, mas uma delas vem chamando a atenção da Polícia Militar (PM) em Patos de Minas: o transporte de crianças com idade inferior a sete anos em motocicletas. Apesar de ser proibida pelo Código Brasileiro de Trânsito (CTB), a conduta é cada vez mais comum nas ruas da cidade e cresce especialmente entre as mulheres.
De acordo com o sargento Renato José Caixeta, da assessoria do 15º Batalhão da Polícia Militar (15º BPM), a infração pode ser observada com mais frequência no horário de entrada e saída das escolas. “Na hora de levar e buscar os filhos, temos observado um crescimento do número de mães carregando menores de 7 anos na garupa.”
Agindo dessa forma, o condutor não só descumpre a legislação, como coloca em risco a sua própria segurança e a do passageiro. “Em qualquer esbarrada ou buraco, a criança menor não tem condições de se segurar para não cair. Além disso, o motorista tende a dirigir com uma mão para trás tentando firmá-la”, explicou sargento Renato.
Ao dirigir, precisa-se ter a visão de que o mais importante não é não ser autuado, ressaltou o sargento. “A maior preocupação deve ser com a integridade física de quem está sendo conduzido. É preciso prevenir o acidente, porque nessas horas, a multa é o de menos.”
CTB: De acordo com o artigo 244 do Código Brasileiro de Trânsito (CTB), “transportar criança menor de sete anos ou que não tenha, nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança” é uma infração gravíssima. Quem cometê-la está sujeito a multa, com perda de sete pontos na carteira de habilitação, e a suspensão do direito de dirigir.
Autor: Carolina Tafuri
Notícia - publicada em Notícias das Gerais
PATOS DE MINAS: É impossível passar pelo Mercado Municipal de Patos de Minas e não observar o acúmulo de lixo no trecho lateral que interliga as ruas José de Santana e Padre Caldeira. O problema é percebido a qualquer hora e dia e tornou-se um incômodo não só para lojistas, clientes e moradores das imediações, mas para todos que passam pelo lugar.
Os detritos não ensacados não são recolhidos pelo serviço de limpeza pública e, com isso, ficam longos períodos expostos e causam intenso mau cheiro. Os resíduos orgânicos – sobretudo restos de alimentos – atraem pombos e cachorros, que deles se alimentam. Os animais espalham ainda mais o lixo e aumentam a sujeira na lateral do mercado.
O perigo é ainda maior porque, largado na rua, esse lixo apodrecido serve de alimento a ratos, baratas e moscas, transmissores de doenças. Já os resíduos sólidos – caixas e plásticos, por exemplo – servem de ninho para espécies animais daninhas, facilitando a proliferação delas. Além disso, podem causar estragos quando chegam aos bueiros e galerias pluviais e os entopem.
Um comerciante do Mercado Municipal, que preferiu não se identificar, disse que está complicado conviver com a situação. “O cheiro é muito forte. Antes a Prefeitura deixava umas caçambas, mas tiraram, e agora fica desse jeito. E tem dia que a coleta falha”, reclamou.
O diretor de Órgão Municipal, ligado à Diretoria de Serviços Urbanos da Prefeitura, Ivanildo Zica, rebate a queixa. “Isso é uma inverdade. Os coletores passam no mercado todos os dias. O horário de coleta lá é de 19 as 21 horas, assim como em todo o Centro. Se eles recolhem nas outras ruas, por que não recolheriam lá?”
Segundo Ivanildo, as caçambas foram retiradas porque não têm permissão para recolher lixo doméstico. “Colocamos uma lixeira no local, mas ela foi feita de depósito de lixo, e não é assim. O correto é colocar o lixo ensacado em recipiente de até 30Kg e dentro do horário de coleta. Infelizmente, o pessoal do mercado não respeitou nenhuma tentativa oferecida.”
O diretor informou que a Associação dos Comerciantes de Carne de Patos de Minas, responsável pelo condomínio do Mercado Municipal, já foi notificada. “A Prefeitura deu um prazo para adequação. Se não for cumprido, a associação vai ser multada”, concluiu.
Autor: Carolina Tafuri

