7 de agosto de 2010

Reportagem Tribuna de Minas

Vizinhança do Dom Orione apela para Justiça

CAROLINA TAFURI
Repórter

O período letivo de 2009 já está na reta final e ainda é incerto para estudantes que saíram da Escola Estadual Dom Orione, no Bairro Dom Bosco, na Cidade Alta. Algumas crianças e adolescentes continuam fora das salas de aula, enquanto outros percorrem longas distâncias para chegar aos novos colégios. A Dom Orione fechou as portas em julho e, apesar dos vários protestos da comunidade, ainda não há sinal de que instituição volte a funcionar. A próxima aposta da população é voltar os esforços para a Justiça. Conforme a advogada que acompanha o caso Eveline Caputo, a intenção é enviar uma ação civil pública, até o final desta semana, para a Vara da Fazenda Pública Estadual, solicitando a reabertura da unidade de ensino. “Neste documento, já preparado, pedimos prioridade na reforma da instituição, que hoje está em péssimas condições de infraestrutura. A legislação brasileira garante não só educação, mas um espaço físico adequado e seguro.” As ações contam com apoio do Conselho Tutelar Centro Sul. A comunidade mantém as reuniões semanais, que contam principalmente com a participação das mães. Elas reafirmam que “a luta continua” até que a unidade seja reaberta.

O fechamento da Dom Orione criou uma série de dificuldades para alunos e seus familiares. Por causa das diferenças pedagógicas e de conteúdo entre uma instituição e outra, alguns alunos têm se sentido inferiorizados em relação aos novos colegas. Os sentimentos relatados são de humilhação e abandono. Mãe de dois filhos, de 14 e 11 anos, que estão fora da escola, a cozinheira Elimar Aparecida da Silva, 31, expressa tristeza em saber que eles praticamente já perderam o ano letivo. “Minha menina e meu menino nunca repetiram de série, e, agora, é o que vai acontecer. Não consegui outro colégio, e hoje a ocupação deles é só rua, rua e rua.” A situação se repete com o filho de 11 anos da dona de casa Mônica Aparecida Fernando, 42. “Rodei todas as escolas mais próximas e não consegui vaga. Sinto-me um pouco fracassada por ver o meu menino perder o ano letivo. Ele também está muito triste.”

Já para doméstica Áurea Maria Pereira, 42, a principal preocupação é com a situação que a filha de 11 anos está vivendo na nova escola. Ela está no sexto ano do ensino fundamental em uma instituição municipal. “Os colegas de classe riem porque ela não consegue acompanhar o ritmo da turma. Outro dia, durante uma prova, o professor disse em voz alta que ela estava de ‘olho grande’ na prova dos outros. Ela adoeceu e precisou se afastar sete dias das aulas, por recomendação médica.”

Sacrifício para chegar ao destino
A distância é mais um empecilho para os alunos rematriculados em outras escolas. Apesar de ter conseguido levar seus filhos para outros estabelecimentos na semana passada, a doméstica Maria de Cássia Procópio, 43, não está entusiasmada. “O maior, de 18 anos, foi para o Fernando Lobo (em São Mateus), e o menor, com 11, está na escola municipal do Bairro Santa Cecília, mas já sei que ele não vai passar de ano.” Os meninos vão a pé, e ela se diz preocupada com o período de chuvas.

Taynan da Silva, 19, caminha 40 minutos do Dom Bosco à Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio, no São Pedro, onde estuda desde semana passada. “É longe. As minhas costas ficam doendo de carregar a mochila pesada. É muito ruim, muito morro”, diz a estudante, acrescentando que se sente com conhecimento defasado em relação à turma do primeiro ano do ensino médio. “Já tirei zero em duas provas.” O professor de futebol Rafael Monteiro, que dá aulas para ex-alunos no Instituto Dom Orione, acrescenta que “as mães estão sem acesso aos históricos escolares dos filhos, documento cobrado pelos outros colégios”.

Diretora educacional da SRE, Maura Gaio diz que há vagas para atender a demanda, e que os responsáveis devem procurar a entidade. Quanto à defasagem escolar, explica que o órgão “não pode atuar nas escolas municipais”. Já quanto aos transferidos para entidades estaduais, garante que fará pedido de ajustamento pedagógico (avaliação diagnóstica para ajustar o aluno na turma). A diretora educacional esclarece, ainda, que os históricos estão disponíveis na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio, no São Pedro.

29 de julho de 2010

Tribuna de Minas

ESTRUTURA PRECÁRIA

Usuários de ônibus reclamam de pontos

CAROLINA TAFURI
Repórter

Usuários do transporte coletivo urbano reclamam da precariedade dos pontos em várias regiões da cidade. De acordo com os passageiros, os abrigos da cidade, quando existem, não têm infraestrutura adequada, pois alguns são vazados nas laterais, como os localizados ao longo da Avenida Rio Branco, e outros possuem a cobertura estreita, como os construídos com concreto. Assim, diante de chuva ou de sol, as pessoas permanecem desprotegidas enquanto esperam o coletivo. Os usuários ainda convivem com lixo espalhado, falta de manutenção e poucos assentos, fato este evidenciado nos horários de pico.

“Parece que não há qualquer cuidado dos órgãos municipais com este assunto. Não é preciso ir longe para ver o desleixo com os pontos de ônibus. Basta percorrer algumas vias centrais e, principalmente, a Avenida Getúlio Vargas, onde o número de abrigos é quase inexistente”, revolta-se o aposentado Orlando Gonçalves, morador do Bairro São Mateus, onde, segundo ele, as estruturas também não são exemplos de limpeza e qualidade. A técnica em enfermagem Lílian Bernardo dos Santos, que diariamente espera coletivos na Avenida Independência, em frente ao Hospital Maternidade Therezinha de Jesus, também no São Mateus, endossa as observações. “O ponto é precário e não nos protege. Quanto à sujeira, é assim sempre, cheio de lixo.”

Dois dos pontos de ônibus mais utilizados da cidade, nos dois sentidos da Avenida Rio Branco, nas proximidades do Parque Halfeld, também são alvos de reclamação. A comerciante Cleusa Vieira Martins, usuária constante destes abrigos, diz que as estruturas precisam de melhorias, e que há maneiras de se fazer isso. “Ficamos desprotegidos sob a chuva ou o sol. A cobertura é cheia de goteiras, e é preciso ficar aqui embaixo com a sombrinha aberta quando está chovendo.” O técnico em telecomunicação André Maurício da Silva, que também usa o local com frequência, é enfático quando fala da qualidade dos pontos: “Péssima. Em dias de chuva, principalmente, é um caos. Além disso, os bancos são insuficientes.”

30 pontos serão reformados na área central
Uma ação da Settra, iniciada em setembro, trata justamente da reforma de 30 pontos de ônibus, sendo 20 na Avenida Rio Branco, sete na Independência, dois na Andradas e um na Getúlio Vargas. De acordo com a subsecretária de Transporte e Trânsito da pasta, Roberta Ruhena, a medida incide sobre as queixas dos passageiros, pois “inclui limpeza, reforma dos assentos, troca das coberturas de policarbonato e pintura das unidades, em um trabalho que, em razão das chuvas, deve ser concluído no início do ano que vem”.

As reformas contam com a parceria da Astransp e do Demlurb. Este fica responsável pela limpeza e lavação dos pontos, que, após os serviços de revitalização, receberão novas caixas coletoras. Segundo a assessoria do órgão, as lixeiras serão mais modernas e seguras, e os usuários do transporte coletivo serão orientados a utilizá-las somente para depósito de pequenos resíduos.

Questionada sobre os pontos que têm as laterais abertas, Roberta disse que os dois localizados próximos ao Parque Halfeld já foram fechados nas partes inferiores, atendendo a reclamações de usuários quanto aos carros que espirravam água em dias de chuva. “Há intenção de fazermos o mesmo em outros abrigos com maior movimento. Mas o gasto com a compra de policarbonato foi alto, e será preciso aguardar a conclusão do serviço que está em andamento para executarmos este novo trabalho.” Já em relação às coberturas de concreto, a subsecretária informa que não existe expectativa de trocá-las.

14 de julho de 2010

Reportagem Tribuna de Minas

Descarte de lixo eletrônico é problema ambiental em JF

“Onde descartar o aparelho que não funciona mais”? Esta é a pergunta que muitas pessoas fazem na hora de jogar fora equipamentos eletrônicos, baterias de celulares e pilhas inutilizadas. Muitas vezes sem resposta ou esclarecimento, elas acabam deixando-os junto ao lixo doméstico, à beira de ruas ou em lotes vagos, potencializando os riscos à saúde humana e ao meio ambiente. O mau hábito é frequente e, em Juiz de Fora, é comum encontrar televisores, computadores e impressoras nas margens de vias públicas ou em bota-fora irregulares. Em apenas um dia percorrendo a cidade, que ainda não acondiciona os resíduos de forma adequada, a Tribuna flagrou o problema em Nova Benfica, Costa Carvalho e Santa Luzia, respectivamente nas zonas Norte, Sudeste e Sul.

O lixo eletrônico é uma fonte de impactos negativos, desencadeados pelos metais pesados e outras substâncias tóxicas contidas nos equipamentos e que podem contaminar o solo, a água e o ar. O alerta é feito pelo coordenador do curso de especialização em Análise Ambiental da UFJF, Cezar Henrique Barra Rocha, que classifica os resíduos eletrônicos como o “mal do século”. Para exemplificar a seriedade do problema, ele cita o perigo do chumbo. “Uma televisão ou um computador tem, em média, dois quilos de chumbo. Se estes aparelhos são descartados de maneira errada, o metal contamina o solo, que depois é utilizado em uma compostagem, e, que por sua vez, aduba uma horta. Quem consome uma hortaliça cultivada neste espaço está consumindo o chumbo, que é cumulativo no organismo e pode atacar o sistema nervoso. As substâncias tóxicas também atingem os cursos d’água.”

Esta semana, a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) divulgou resultado do “Diagnóstico da Geração de Resíduos Eletroeletrônicos no Estado de Minas Gerais”, mostrando que, atualmente, no estado, são descartadas, por ano, cerca de 40 mil toneladas de materiais metálicos integrantes dos resíduos eletroeletrônicos.

Solução

O ideal, conforme Rocha, é que resíduos eletrônicos não sejam descartados e compactados junto ao lixo comum. “Eles devem ser reaproveitados ao máximo. O que não for possível reciclar deve ser deixado em uma área específica e licenciada para a atividade, e não em lixões comuns.” Na visão do professor, Juiz de Fora já deveria estar preocupada com o “mal do século” e implementar um sistema de coleta seletiva que englobasse este tipo de material.

O Demlurb confirma que o departamento não tem uma ação específica neste sentido. O lixo eletrônico coletado na cidade é encaminhado às associações de materiais recicláveis, mas pequenos volumes que estiverem junto aos resíduos domésticos acabam sendo levados diretamente para o aterro sanitário.

Integrante da Associação dos Catadores de Papel e Resíduos Sólidos de Juiz de Fora (Apares), Júlio César de Lima explica que os trabalhadores tentam separar o máximo de metais e outros elementos reaproveitáveis dos aparelhos entregues pela Prefeitura e por parceiros, e que o restante é destinado ao aterro. Ele diz que a associação está aberta a receber equipamentos inutilizados de toda população, mas, devido à dificuldade de locomoção dos catadores, em razão do peso dos carrinhos, é inviável buscá-los nas residências.

Produção



by Support Comunicação

Produção - Série Unimed









by Support Comunicação

Agente de RTVC



by Iso4 Comunicação

Agente de RTVC



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Agente de RTVC



by Iso4 Comunicação

Texto PABX

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13 de julho de 2010

Texto para house-organ

Mais qualidade com nova frota

Ao longo dos 15 anos de atuação, a GPA caminha de maneira firme para se consolidar nos mercados de mineração e de construção pesada. O fortalecimento da marca e a qualificação de seus serviços são resultado de muito trabalho e de grandes investimentos.

A recente aquisição de treze novos caminhões Mercedes Benz AXOR 4140, que chegaram para aquecer as obras e as atividades da empresa, é exemplo deste progresso. Os caminhões apresentam diferencias que garantem mais conforto e segurança aos motoristas: freios Turbo Break e Top Break, direção hidráulica, vidro elétrico, ar condicionado e cabine climatizada.

Para o Gerente de Contratos da GPA, Hugo Leonardo Gatto, os benefícios das novas máquinas são ainda maiores. Ele ressalta que há menores custos de manutenção e consumo de combustível, vantagens que asseguram a produtividade sem influenciar na excelência dos serviços oferecidos.

Outra nova máquina chega, em setembro, às operações da GPA em Congonhas, na Mina Casa de Pedra (CSN). A empresa adquiriu a Escavadeira PC-450/7, reforçando os investimentos para a qualidade total.

Crônica

Caiu na rede é internauta

Por Carolina Filardi Tafuri

Já dizia minha avó: “Caiu na rede é peixe”. Era assim que ela se referia às situações que “se não tinham remédio, remediadas estavam”. Traduzindo para a linguagem atual eu diria: “agora já era”, “danou-se”, “não tem mais jeito”. E olha que a minha velha mal sabia que o velho ditado se aplicaria também aos dias de hoje, inclusive quando o assunto é tecnologia e mais especificamente Internet. Quer saber o porquê eu tenho razão?

Por exemplo, você conhece alguém que, depois de experimentar as facetas do www, nunca mais voltou ao universo virtual? E, ainda, lembra-se da última vez que escreveu uma carta a próprio punho para um amigo distante, ou, até mesmo, da cidade vizinha a sua? Posso dizer que a minha própria mãe - que não gostava de computador e sequer sabia o que significava um e-mail - depois do primeiro clique, não parou mais de enviar mensagens on-line (e o meu pai agradece à evolução, que trouxe economia para a conta de telefone). Hoje, ela faz faculdade pela rede. Pode?

Eu diria, fazendo alusão aos ditados populares lembrados pela minha avó, que a rede (que aqui não é de pescador) é um vício do mundo moderno; e que para gostar desta modernidade é mais ou menos como “rir e coçar. Só basta começar”. O fascínio é gigante: pela velocidade, pela interatividade, pela capacidade de ver e ouvir alguém a milhares de quilômetros e pela possibilidade de entrar em contato com um colega do primário escolar. Caiu na rede é um internauta nato, não tem mais volta ou remédio que dê solução. É ... a Internet provou que minha avó tinha razão.

Reportagem para impresso/Tribuna de Minas

Vendedores de carro tomam Área Azul em Juiz de Fora

por Tribuna de Minas - Carolina Tafuri

Encontrar vaga para estacionar veículo é um dos principais problemas para quem circula na região central. Apesar de o problema ser crescente, por causa da expansão da frota, há vendedores de carros que se comportam como donos das vagas e praticam abusos na Área Azul, onde a permissão para estacionar é de, no máximo, uma hora e meia. A Tribuna esteve nas ruas e constatou o mau uso do rotativo. Em uma das idas da reportagem ao Centro, das 20 vagas disponíveis em um trecho da Rua Batista de Oliveira,15 estavam com automóveis com placas de “vende-se”, o que significa 75%. No mesmo dia, na parte baixa da Rua Santa Rita, das seis vagas existentes, cinco eram utilizadas pelos vendedores, representando 83%. Também na Rua Braz Bernardino, o problema foi constatado: a proporção era de três vagas ocupadas com vendedores a cada oito. O problema é antigo, e, depois que os comerciantes foram retirados do pátio do Espaço Mascarenhas, em 2008, mudam de ponto com frequência nas vias do Centro, para tentar driblar a fiscalização.

A situação provoca revolta na população: “Se a Área Azul é rotativa, por que vendedores de carros permanecem no mesmo lugar o dia todo?”, questiona um condutor. Motoristas que são obrigados a pagar estacionamentos privados ou a deixar os automóveis longe do local onde pretendem ir, pedem explicações. “Os vendedores de carros compram o bilhete da mesma forma que eu, quando preciso estacionar? Como funciona a cobrança para eles? Pagam algum imposto, para que tenham o direito de explorar comercialmente um espaço público? Preciso entender e queria que alguém me explicasse. Alguém se habilita?”, questionou, por e-mail, o leitor José Nilson de Mello.

Os comerciantes também se sentem prejudicados. Eles justificam que os vendedores atrapalham a circulação dos consumidores e tiram as vagas dos clientes. “Esta prática atrapalha, e muito, o movimento de quem precisa ir às lojas próximas aos estacionamentos rotativos”, diz o corretor de imóveis Carlos Eduardo Vicente, que trabalha em uma empresa na Rua Braz Bernardino.

Funcionários de uma farmácia na Rua Batista de Oliveira esquina com a Braz Bernardino veem a situação com ressalvas. “Pensando democraticamente, os vendedores têm o direito de usar o espaço, pois pagam pelo bilhete da Área Azul. Mas, por outro lado, também tiram a oportunidade de outras pessoas utilizá-lo. Logo, isso acaba prejudicando nossos consumidores”, disse um dos funcionários, que preferiu não se identificar.

Defesa

Em defesa da categoria, o comerciante de carros Marcos Paris, que deixa veículos à venda na Rua Santa Rita, diz que os vendedores não ferem a legislação da Área Azul. “Compramos um novo bilhete a cada 90 minutos. Tem dia que acumulo seis ou sete tíquetes. Além disso, na maioria das vezes, também cumprimos com o processo rotativo.” Para Marcos, “a fiscalização não tem uma visão completa da situação” e acaba jogando sobre eles a grande responsabilidade pela ocupação do estacionamento rotativo. “Se um fiscal chegar aqui na Santa Rita às 6h, ele vai perceber que a maioria das vagas já está ocupada pelos proprietários e funcionários das lojas. Estes sim podem deixar o carro o tempo todo na Área Azul, que não são multados. Parece uma perseguição conosco, pois nós somos multados”, critica.

Código reafirma que atividade é irregular

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), a venda de carros na Área Azul fere o artigo 20 do Código de Posturas, que proíbe o fornecimento, pela PJF, de local público para práticas particulares e lucrativas. O artigo 62 da lei municipal 11.197/2007, inclusive, determina que os comerciantes de veículos estão cometendo infração média, cuja multa é de R$ 443,39.

A chefe do Departamento de Engenharia de Tráfego da Settra, Sheila Menini, explica que “a lei vigente para estacionamento rotativo permite que cada vaga seja ocupada pelo mesmo veículo por até 90 minutos, com tíquete”. Portanto, se este tempo é ultrapassado, cabe aos monitores da Sinart, administradora da Área Azul, notificar o infrator. Por sua vez, o gerente da Sinart, Alexandre Rodrigues Soares, afirma que seus funcionários estão nas ruas cumprindo suas tarefas. “Eles não deixam de fazer as notificações, mas é só o que cabe a eles. A multa é função dos agentes de trânsito e da PM.” De acordo com a assessoria da SAU, a pasta, juntamente com a Settra, está estudando uma maneira de coibir a atividade sem ferir o direito do cidadão.

Reportagem para impresso/Tribuna de Minas

ASSOCIAÇÃO DE TRÁFICO

Família dirigia esquema de crack

CAROLINA TAFURI
Repórter

Um esquema de fracionamento e distribuição de crack, que envolvia três casas e seis pessoas de uma mesma família em uma espécie de “condomínio”, foi estourado, no fim da tarde de ontem, no Bairro Bela Aurora, na Zona Sul. Em cumprimento a mandado de busca e apreensão, policias da 32ª Companhia de Polícia Militar (PM) chegaram à Rua Jandira Limpio Pinheiro e surpreenderam o casal suspeito fracionando pedras de crack no interior de uma das residências, localizada em um beco, protegida por muro alto e interfone. Segundo a polícia, o esquema pode ser classificado como uma associação, já que utilizava mais de uma moradia. Além do local usado para dividir e embalar a droga, uma outra casa servia como esconderijo das pedras inteiras, e uma terceira, para guardar pacotes de dinheiro, arma e cartuchos.

De acordo com o capitão Almir Cassiano de Almeida, comandante da ação, os moradores de cada casa seriam responsáveis por uma atividade. “A droga não chegava em varejo, e sim no atacado. Em princípio, acredito que as grandes pedras eram fracionadas e depois distribuídas a pequenos traficantes.” A soma da quantidade do entorpecente encontrado nas três moradias chega a aproximadamente 2kg, volume suficiente para ser transformado em cerca de cinco mil pedras, conforme declarou capitão Almir.

Além da grande quantidade de crack, foram apreendidos equipamentos eletrônicos de origem duvidosa, uma balança de precisão, um veículo Ômega, um revólver calibre 38 e cartuchos de fuzil. Somente na residência onde o casal foi surpreendido, estavam quatro televisores, três aparelhos de DVD e uma câmera de vigilância interna. Ao todo, seis pessoas foram encaminhadas à 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, onde prestavam depoimento até o fechamento desta edição. Em razão da prisão em flagrante, a dupla considerada cabeça do esquema - um homem de 36 anos e uma mulher de 46 - foi levada para o Ceresp e para a Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires, respectivamente.

Há cerca de três anos, a PM esteve no mesmo endereço, também cumprindo mandado de busca e apreensão. Segundo capitão Almir, na ocasião, a área contava com sistema de filmagem, para monitorar a movimentação. Atualmente, apesar de não dispor de câmeras de vigilância, a polícia acredita que o muro alto e o interfone seriam uma maneira de proteger os envolvidos e camuflar o esquema de tráfico de drogas.
A operação de ontem foi resultado de dois meses de investigação da 32ª Companhia de Polícia Militar, iniciada após ligação anônima para o disque-denúncia unificado, o 181. A ação envolveu 12 homens e três viaturas.

Outra apreensão
Setenta e duas pedras de crack foram apreendidas pela PM durante operação, na noite de quinta-feira, no Jardim Casablanca, na Cidade Alta. Um jovem de 25 anos foi preso com 52 pedras da droga e foi para o Ceresp. Já um adolescente, 16, foi flagrado com 20 porções do entorpecente, duas buchas de maconha, celular e R$ 12. Ele foi ouvido na delegacia e entregue aos responsáveis.

Reportagem para impresso/Tribuna de Minas

População indignada

Coleta irregular deixa lixo espalhado pela cidade

Carolina Tafuri
REPÓRTER

A limpeza urbana tornou-se alvo de reclamações por parte da população, incomodada com as frequentes cenas de sacolas de lixo e detritos acumulados e espalhados nas ruas de Juiz de Fora. A maioria das queixas aponta a irregularidade nos horários e dias de coleta como ponto chave do problema, constatado em diferentes regiões da cidade, inclusive na área central. Segundo moradores das localidades afetadas, a permanência de resíduos nas vias e calçadas causa mau cheiro, atrai insetos e deixa o município com aspecto de abandono, caracterizando uma situação crítica. O diretor do Demlurb, Aristóteles Faria, reconhece as deficiências, e as atribui, principalmente, ao sucateamento da frota. “Os atuais 22 caminhões de coleta domiciliar próprios e os seis alugados não são suficientes para atender à demanda, dificultando que nossa equipe, embora empenhada, preste um serviço mais eficiente.” Segundo ele, entre a frota do órgão, o veículo mais novo foi fabricado em 2001, enquanto outros datam de 1990 e 1996. No entanto, a população prejudicada rebate: “A frota está sucateada há anos, mas a situação da limpeza está bem pior”, diz uma moradora da Cidade Alta. Ela conta que a orientação do Demlurb para os moradores é que o lixo seja colocado cedo na rua, já que o caminhão passaria às 8h. “Mas ultimamente, o material fica o dia inteiro na rua exposto.”

O problema é retratado em dezenas de e-mails e telefonemas direcionados ao jornal nos últimos dias, como a mensagem de um advogado, residente no Centro, que preferiu não ser identificado. “Desde o início do ano, o lixo que era recolhido pontualmente, às 19h, não tem mais horário fixo, transformando as áreas vizinhas à Rua Santa Rita em um imenso bota-fora. Aos sábados, também não é mais como antes, sempre às 14h.”

‘Verdadeiro caos’
A ineficiência da limpeza urbana também é sentida pelas comunidades dos bairros Monte Castelo e Carlos Chagas, Zona Norte. Um morador do Monte Castelo disse que a coleta não foi realizada entre os últimos dias 7 e 14, “transformando a região em um verdadeiro caos, com um cheiro insuportável”. O Demlurb admitiu o problema, e justificou que, na ocasião, havia quatro caminhões quebrados, impossibilitando o serviço na área.

A situação se estende para a Zona Sul. Na Avenida Darcy Vargas, no Ipiranga, a população reclama que, embora programada para o período da manhã, muitas vezes, a coleta é efetuada à tarde, além de falhar em finais de semana. “Em março foram dois sábados sem lixeiro. É sujeira por todo lado”, conta o presidente da SPM Jorge Brito. A comunidade ainda se queixa da falta de varrição na praça ao lado do posto de saúde. O proprietário de uma banca de jornal Erivelto de Almeida diz que a “sujeira é constante, e que os próprios moradores costumam varrer”. Morador do Granville, na Cidade Alta, Jayme Brandão reforça as queixas. “O serviço ficou deficiente nos três primeiros meses do ano, e só melhorou agora. Raramente os lixeiros não falhavam um ou dois dias por semana, além de passarem em horários diferentes. Antes eram mais pontuais.”

Impasse
Aristóteles Faria afirma que “o Demlurb está trabalhando no limite”, e, com isso, qualquer dano em um veículo prejudica o cronograma. “Quando um caminhão quebra, precisamos esperar que o de outra região termine o serviço para ser deslocado.” Ele acrescenta que o fato de o departamento não contar com carros extras também impede que estes sejam submetidos à manutenção diária. Para contornar as deficiências, o diretor do Demlurb aposta na locação de 12 novos veículos compactadores de resíduos sólidos, conforme edital do último dia 3. No entanto, o aluguel não tem data para ser efetivado, já que o processo licitatório foi suspenso por determinação da Justiça. A Vara da Fazenda Pública concedeu tutela antecipada à ação protocolada pelo vereador Roberto Cupolillo (Betão, PT), que pedia a imediata interrupção do processo, alegando que o custo de aquisição dos veículos seria inferior às despesas com a locação. O vereador Wanderson Castelar (PT) e o Sinserpu também se manifestaram contra o procedimento. O sindicato defende a busca de alternativas para reestruturar o Demlurb, e não aprova a opção pelo que classifica de terceirização. A Prefeitura já respondeu aos questionamentos da Justiça, e agora aguarda decisão.

Paralisação
A situação se agravou na últim sexta-feira com a paralisação dos servidores municipais, que atingiu o setor. No entanto, em nota divulgada ontem, a PJF afirma que o atendimento das regiões afetadas pelo protesto está sendo normalizado.

Maus hábitos agravam situação nas ruas
Apesar das irregularidades na coleta de lixo domiciliar serem a principal responsável pela sujeira nas ruas da cidade, outros problemas agravam a situação. Muitos moradores estão habituados a deixar as sacolas nas calçadas a qualquer hora do dia ou da noite. A falta de colaboração da sociedade é citada pelo Demlurb.

“As pessoas, em geral, não têm consciência e colocam o lixo de qualquer jeito nas ruas ou varrem as calçadas e não juntam ou embalam os detritos. Simplesmente deixam em um canto e, depois, tudo se espalha, podendo até entupir os bueiros”, diz o morador do Vale do Ipê, região central, Marcelo Leal. A funcionária pública Adriana Caetano Itabirano, moradora do Bonfim, Zona Leste, partilha da mesma opinião, e acredita que a cidade não ficará limpa sem a conscientização da comunidade. “De nada adiantarão novos caminhões e equipamentos se a população não se educar. Na minha rua, Barão do Retiro, vizinhos e lojistas preferem atirar o lixo nas calçadas, a colocá-lo em um recipiente adequado.”

O Demlurb aposta em campanhas educativas para conseguir apoio dos juizforanos, como aconteceu nos bairros Manoel Honório, Zona Leste, e Morro da Glória, região central, onde o projeto rendeu bons resultados. Segundo a assessoria do departamento, a proposta é intensificar o trabalho em todo o município, com orientações quanto ao acondicionamento de resíduos e a sua colocação nas calçadas em horários preestabelecidos.

Em desacordo
De acordo com o artigo 10 do Código de Posturas de Juiz de Fora, é vedado “expor o lixo ou resíduo para coleta fora do período estabelecido para o seu recolhimento” e “depositar ou descartar lixo em logradouros públicos ou privados, inclusive nas margens de rodovias, estradas vicinais ou ferroviárias, matas e florestas situadas na circunscrição municipal”. O descumprimento das normas pode levar à multa no valor de R$ 221,69, conforme informações da Secretaria de Atividades Urbanas.