14 de julho de 2010

Reportagem Tribuna de Minas

Descarte de lixo eletrônico é problema ambiental em JF

“Onde descartar o aparelho que não funciona mais”? Esta é a pergunta que muitas pessoas fazem na hora de jogar fora equipamentos eletrônicos, baterias de celulares e pilhas inutilizadas. Muitas vezes sem resposta ou esclarecimento, elas acabam deixando-os junto ao lixo doméstico, à beira de ruas ou em lotes vagos, potencializando os riscos à saúde humana e ao meio ambiente. O mau hábito é frequente e, em Juiz de Fora, é comum encontrar televisores, computadores e impressoras nas margens de vias públicas ou em bota-fora irregulares. Em apenas um dia percorrendo a cidade, que ainda não acondiciona os resíduos de forma adequada, a Tribuna flagrou o problema em Nova Benfica, Costa Carvalho e Santa Luzia, respectivamente nas zonas Norte, Sudeste e Sul.

O lixo eletrônico é uma fonte de impactos negativos, desencadeados pelos metais pesados e outras substâncias tóxicas contidas nos equipamentos e que podem contaminar o solo, a água e o ar. O alerta é feito pelo coordenador do curso de especialização em Análise Ambiental da UFJF, Cezar Henrique Barra Rocha, que classifica os resíduos eletrônicos como o “mal do século”. Para exemplificar a seriedade do problema, ele cita o perigo do chumbo. “Uma televisão ou um computador tem, em média, dois quilos de chumbo. Se estes aparelhos são descartados de maneira errada, o metal contamina o solo, que depois é utilizado em uma compostagem, e, que por sua vez, aduba uma horta. Quem consome uma hortaliça cultivada neste espaço está consumindo o chumbo, que é cumulativo no organismo e pode atacar o sistema nervoso. As substâncias tóxicas também atingem os cursos d’água.”

Esta semana, a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) divulgou resultado do “Diagnóstico da Geração de Resíduos Eletroeletrônicos no Estado de Minas Gerais”, mostrando que, atualmente, no estado, são descartadas, por ano, cerca de 40 mil toneladas de materiais metálicos integrantes dos resíduos eletroeletrônicos.

Solução

O ideal, conforme Rocha, é que resíduos eletrônicos não sejam descartados e compactados junto ao lixo comum. “Eles devem ser reaproveitados ao máximo. O que não for possível reciclar deve ser deixado em uma área específica e licenciada para a atividade, e não em lixões comuns.” Na visão do professor, Juiz de Fora já deveria estar preocupada com o “mal do século” e implementar um sistema de coleta seletiva que englobasse este tipo de material.

O Demlurb confirma que o departamento não tem uma ação específica neste sentido. O lixo eletrônico coletado na cidade é encaminhado às associações de materiais recicláveis, mas pequenos volumes que estiverem junto aos resíduos domésticos acabam sendo levados diretamente para o aterro sanitário.

Integrante da Associação dos Catadores de Papel e Resíduos Sólidos de Juiz de Fora (Apares), Júlio César de Lima explica que os trabalhadores tentam separar o máximo de metais e outros elementos reaproveitáveis dos aparelhos entregues pela Prefeitura e por parceiros, e que o restante é destinado ao aterro. Ele diz que a associação está aberta a receber equipamentos inutilizados de toda população, mas, devido à dificuldade de locomoção dos catadores, em razão do peso dos carrinhos, é inviável buscá-los nas residências.

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